SENSUALIDADE...
Sonetos 53 e 17 de William Shakespiare <br /> <br />De que substância foste modelado, <br />Se com mil vultos o teu vulto medes? <br />Tantas sombras difundes, enfeixado <br />Num ser que as prende, e a todas sobre excedes; <br /> Adônis mesmo segue o teu modelo <br />Em vã, esmaecida imitação; <br />A face helênica onde pousa o belo Ganhou em ti maior coloração; <br />A primavera é cópia desta forma, <br />A plenitude és tu, em que consiste <br />O ver que toda graça se transforma <br />No teu reflexo em tudo quanto existe: <br />Qualquer beleza externa te revela <br />Que a alma fiel em ti acha mais bela. <br />Se te comparo a um dia de verão <br />És por certo mais belo e mais ameno <br />O vento espalha as folhas pelo chão <br />E o tempo do verão é bem pequeno. <br />Ás vezes brilha o Sol em demasia <br />Outras vezes desmaia com frieza; <br />O que é belo declina num só dia, <br />Na terna mutação da natureza. <br />Mas em ti o verão será eterno, <br />E a beleza que tens não perderás; <br />Nem chegarás da morte ao triste inverno: <br />Nestas linhas com o tempo crescerás. <br />E enquanto nesta terra houver um ser, <br />Meus versos vivos te farão viver